GATEKEEPER / GATEKEEPING
A. No design de software e segurança: O padrão de arquitetura ou mecanismo que intercepta solicitações (requests) e decide se devem ou não ser processadas por um sistema subjacente. A função de gatekeeping consiste em validar as permissões, a autenticidade e a integridade da entrada antes que esta atinja o núcleo vulnerável ou os recursos protegidos. Ex.: Um Firewall agindo como gatekeeper de uma rede; um objeto "Proxy" que verifica credenciais antes de permitir o acesso a um objeto sensível. Algoritmicamente o gatekeeping é a função de filtragem e ordenação da informação realizada por motores de busca e feeds de redes sociais. O algoritmo atua como um editor automatizado que decide, com base em métricas de relevância ou engajamento, quais informações chegam à consciência do utilizador e quais permanecem na obscuridade.
B. Designa o poder de mercado exercido por grandes plataformas digitais que atuam como pontos de passagem obrigatórios (bottlenecks) entre um grupo de produtores (desenvolvedores de apps, criadores de conteúdo, comerciantes) e um grupo de consumidores. O Gatekeeper controla o acesso ao ecossistema, definindo unilateralmente as regras de entrada, as taxas de transação e a visibilidade dos produtos.
C. Prática social que consiste em estabelecer barreiras arbitrárias ou critérios de validação não oficiais para determinar quem tem o direito de pertencer ao grupo ou de ser considerado competente.
Observações
A legislação europeia recente, especificamente o Digital Markets Act (DMA), codificou juridicamente o termo. Para ser considerado um Gatekeeper sob o DMA, uma empresa deve ter uma posição econômica forte, impacto significativo no mercado interno e uma posição duradoura (ex: Alphabet, Amazon, Apple, ByteDance, Meta, Microsoft). A lei impõe a estes gatekeepers obrigações específicas, como permitir a interoperabilidade e não favorecer os seus próprios serviços, tentando transformar o "muro" (gate) numa "ponte" regulada.
Na computação, no sentido C, o gatekeeping é o mecanismo de defesa de uma "aristocracia técnica" que vê na democratização da tecnologia uma ameaça ao seu status. Ele opõe-se diretamente ao ethos hacker original de partilha de conhecimento e descentralização.