OPEN-SOURCE (Código Aberto)
A. Em sentido lato, designa a prática de engenharia de software na qual o código-fonte original é disponibilizado livremente para uso, estudo, modificação e redistribuição. Opõe-se ao modelo de "código proprietário" ou "código fechado" (closed source), onde o código-fonte é considerado um segredo industrial guardado sob restrições de direitos autorais e ofuscação técnica.
B. Do ponto de vista formal e normativo (conforme estabelecido pela Open Source Initiative - OSI), Open-source refere-se exclusivamente ao software distribuído sob uma licença que cumpre os dez critérios da Open Source Definition (OSD). Não basta que o código seja visível; a licença deve garantir, entre outros: 1. Livre redistribuição; 2. Inclusão do código-fonte; 3. Permissão para trabalhos derivados; 4. Não discriminação contra pessoas, grupos ou campos de atuação. "Open source doesn't just mean access to the source code." (The Open Source Definition, Introdução).
C. Do ponto de vista metodológico e pragmático, o termo designa um modelo de desenvolvimento descentralizado que encoraja a colaboração aberta. Eric S. RAYMOND define-o através da metáfora do "Bazar", em oposição à "Catedral" do software proprietário. O Open-source é visto não necessariamente como um imperativo moral, mas como uma estratégia superior de engenharia para reduzir defeitos (bugs) e acelerar a inovação. "Given enough eyeballs, all bugs are shallow." (E. S. RAYMOND, The Cathedral and the Bazaar, 1999).
Crítica
A distinção semântica mais crucial a ser feita é a tensão entre Open Source (Código Aberto) e Free Software (Software Livre). Embora designem frequentemente o mesmo conjunto de programas, os termos derivam de filosofias fundamentalmente distintas, e o uso de um ou de outro denota coisas diferentes. Ao utilizar-se Open-source, enfatiza-se, por vezes, a eficiência técnica e o modelo de negócio; ao utilizar-se Software Livre, enfatiza-se a liberdade e a ética. O acrônimo FOSS (Free and Open Source Software) ou FLOSS (Free/Libre and Open Source Software) é frequentemente empregado na literatura acadêmica e técnica como termo guarda-chuva que engloba ambas as correntes
Observações
A expressão Open Source foi cunhada em 1998, numa sessão estratégica em Palo Alto, por Christine Peterson, com o objetivo explícito de rebatizar o movimento do software livre para torná-lo mais palatável ao mundo corporativo, afastando-se da carga ética e anticomercial associada ao termo "Free" (que em inglês gera a confusão entre "liberdade" e "gratuidade").
Richard STALLMAN, fundador da Free Software Foundation (FSF), critica o termo Open Source por ele focar apenas nos benefícios práticos (potência, confiabilidade, baixo custo) e ocultar a questão ética da liberdade do usuário. Para Stallman: "Open source is a development methodology; free software is a social movement." (R. STALLMAN, Why Open Source misses the point of Free Software).
É necessário também distinguir o Open-source do conceito de Source Available (Código Disponível). No Source Available, o proprietário permite que se veja o código (para auditoria ou referência), mas não concede as liberdades de modificação ou redistribuição comercial exigidas pela definição B.