(ingl. experience, fr. expérience, al. Erfahrung/Erlebnis)

Conceito cuja fortuna nos últimos dois séculos reflete a consciência tipicamente moderna da autonomia da forma de vida estética. Estruturalmente polívoca, já que pressupõe obviamente diferentes concepções do objeto específico da estética e igualmente diferentes definições gerais da experiência, a noção de experiência estética sintetiza temas variadamente presentes na tradição filosófica, do conhecimento sensível à experiência interior da mística (v. ALMA BELA), do esprit de finesse pascaliano ao romântico conhecimento intuitivo das coisas como retomada do conceito antigo de CONTEMPLAÇÃO [v.].

Fazendo interagir modelos de experiência estranhos ao matemático dominante nas ciências experimentais, como o juízo reflexivo kantiano (reflexão sobre particulares não subsumíveis sob leis preexistentes) e a dialética hegeliana da consciência (que muda processualmente junto com o próprio objeto), a estética do final do século XIX elabora uma inédita noção antiformalista e não-atomística de experiência vivida (Erlebnis), cuja fortuna dura até quando, no século XX, impõe-se o léxico existencialista. Como experiência imediata do real, longe tanto do conceito quanto do atomismo das sensações individuais, como medium através do qual a vida em um certo sentido interpreta a si mesma enfatizando os momentos mais significativos pessoalmente experimentados pelo sujeito, a experiência vivida eleva-se bem cedo tanto a paradigma da grandeza artística, quanto a móvel da libertação catártica à qual acedem tanto o criador, que tem o privilégio de poder objetivar artisticamente a própria intensa experiência vivida, quanto quem, «compreendendo» e revivendo esta EXPRESSÃO [v.], goza de qualidades psíquicas geralmente humanas (Dilthey, Experiência vivida e a poesia; Crítica da Razão Histórica, 1905-10; cfr. também Spranger, O Homem estético).

A estética do Erlebnis será depois severamente criticada por ter negligenciado o contexto histórico-social mais geral da arte, e sobretudo por ter feito valer, com base num resíduo subjetivismo cartesiano (assim pensa Heidegger), uma abstrata «consciência estética», onde com a arte, ao contrário, segundo Gadamer (Verdade e Método, p. 127), «aprendemos a compreender a nós mesmos [...], superamos a descontinuidade e pontualidade do Erlebnis na continuidade da nossa existência».

Quanto à tematização novecentista da experiência estética, ela pressupõe: a) um redimensionamento da estética da criação e da categoria de «obra» (ainda dominante em Hegel e nos seus epígonos), b) uma dissimilação da experiência estética do estetismo desresponsabilizante que havia conduzido ao bovarístico «sonho de olhos abertos» (a seu tempo estigmatizado por Kierkegaard), mas também c) o colapso das clássicas estéticas sistemáticas diante da crescente autonomia das artes e das prestações perceptivo-estéticas por elas requeridas, e enfim d) um interesse mais vivo pelo aspecto comunicativo, operativo e socializante não só da arte, mas também do JUÍZO ESTÉTICO [v.], entendido por Kant como modelo de um consenso que visa a tornar-se universal mesmo sem poder referir-se a um conceito (CdJ, § 41).

Na discussão mais recente sobre o significado da experiência estética poderíamos, contudo, distinguir esquematicamente duas orientações diversas. De um lado, as teorias que negam a autonomia absoluta da experiência estética e veem nela simplesmente a explicitação de qualidades inerentes a toda experiência de particular intensidade e plenitude (Dewey, Arte como Experiência), por exemplo de uma «formatividade» ativa em todo gênero de experiência (Pareyson, Estética), ou na experiência estética, adequadamente dissimilada da experiência da arte, identificam o fio condutor de um conhecimento ontológico reconduzido à sensibilidade e retenção (M. Ferraris, Estetica razionale, 1997) ou de condições mais gerais de possibilidade não-intelectuais da experiência e da constituição do sentido (E. Garroni, Senso e paradosso, 1986; Estetica, 1992), ou ainda aquelas teorias que no advento da arte tecnicizada vislumbram a possibilidade de uma práxis estética politizada e portanto não ideológica (Benjamin, A Obra de Arte...), ou então (é o caso de Heidegger, A Origem..., e sobretudo de Gadamer, Verdade e Método) na experiência da arte veem exemplarmente realizada uma experiência ametódica mais geral da verdade (v. HERMENÊUTICA).

De outro lado, ao contrário, as teorias que reafirmam a irredutível autonomia da experiência estética, vislumbrando nela um tipo peculiar de conhecimento (intuição do individual, por exemplo, para Croce, Estética), uma resistência ao domínio ideológico da indústria cultural e portanto um potencial subversivo ou pelo menos uma aparência antecipadora de valor utópico (Marcuse, A Dimensão Estética; Bloch, O Princípio Esperança; Adorno, Teoria Estética), ou talvez uma via de acesso privilegiada a esferas existenciais de outro modo ocultas: é o caso da função estética proustiana da memória e da fruição rigorosamente depurada de elementos extraestéticos tematizada pelas estéticas fenomenológicas (assim Geiger, Die Bedeutung der Kunst, 1928-1976, Ingarden, Das Erlebnis..., mas sobretudo Dufrenne, Fenomenologia da experiência estética, que a explica como percepção dos «a priori afetivos» da obra de arte), mas também, embora num sentido diversíssimo, da tese de Ritter (Subjetividade, 1974), depois desenvolvida por Marquard (Estética e anestética), segundo a qual a arte, em vez de refugiar-se na função de antecipação de uma ideal perfeição utópica, deve compensar a estranheza ao mundo causada no sujeito pelo crescente domínio da sociedade industrial e pela aceleração temporal que dela decorre.

A tentativa mais recente de revalorizar a experiência estética nos seus componentes mais transgressivos e libertadores, no seu caráter seja de PRAZER [v.] seja de conhecimento, é a de Jauss (Apologia da Experiência Estética), que deseja uma recomposição das diversas funções do fenômeno estético, isto é, o fim da ditadura, enquanto tal sutilmente platônica e moralística, da função representativa em detrimento daquela receptiva e comunicativa.

Bibliografia: G. Beardsley, The Aesthetic Point of View: Selected Essays, a cura di M.J. Wreen e D.M. Callen, Cornell U.P., Ithaca 1982; R. Bubner, Ästhetische Erfahrung (1989) [trad. it. Esperienza estetica, a cura di G. Carchia, Rosenberg & Sellier, Torino 1992]; D.E.W. Fenner, The Aesthetic Attitude, Humanities Press, New Jersey 1996; D. Grünewald (a cura di), Ästhetische Erfahrung: Perspektiven ästhetischer Rationalität, Friedrich, Velber 1997; L. Lorenzetti (a cura di), La dimensione estetica dell’esperienza, Angeli, Milano 1995; M.H. Mitias (a cura di), Possibility of the Aesthetic Experience, Nijhoff, The Hague 1986; Id., What Makes an Experience Aesthetic?, Königshausen & Neumann-Rodopi, Würzburg-Amsterdam 1988; W. Oelmüller (a cura di), Ästhetische Erfahrung, Schöningh, Padeborn e a. 1981; J. Stöhr (a cura di), Ästhetische Erfahrung heute, Du Mont, Köln 1996.

Tonino Griffero