(ingl. emotion, fr. émotion; al. Emotion, Gemütsbewegung)
EMOÇÃO
Reação afetiva mais ou menos transitória, mas de particular intensidade somática (e talvez indício de um desequilíbrio em relação ao mundo que é, ao contrário, ausente no SENTIMENTO [v.]), suscitada pela BELEZA [v.] ou de qualquer modo por uma EXPERIÊNCIA ESTÉTICA [v.].
Até o século XVIII indagada no quadro das paixões (ou dos temperamentos) e do gosto (considerado imotivado justamente por causa da sua subjetividade emotiva), e diversamente avaliada segundo a maior ou menor positividade atribuída à vida afetiva, a emoção está desde sempre conectada aos fenômenos estéticos, consequentemente exaltados pelos emotivistas (desde o ILUSIONISMO [v.] dos sofistas), ou então estigmatizados por racionalistas e moralistas, a partir da condenação platônica da arte como excitadora de emoções e enfraquecimento do caráter racional e moral do homem, para chegar à crítica de Rousseau da emoção estética como «emoção vã e efêmera, que não dura mais que a ilusão que a produziu» (Carta a d'Alembert, p. 212).
Banida pelo cristianismo por sua natureza pagã, mas depois integrada através do interesse por emoções específicas como devoção, compaixão e emulação, a estética da emoção perde terreno com a imposição do modelo moderno da DISTÂNCIA ESTÉTICA [v.]. Em Kant, por exemplo, a emoção como «sensação na qual o prazer não é produzido senão por um momentâneo impedimento, seguido de uma mais forte efusão da força vital» (Crítica da Faculdade do Juízo, § 14), aparece demasiado ligada à sensibilidade para ter a ver com a beleza e com o «puro» juízo de gosto, caracterizado vice-versa por uma «calma CONTEMPLAÇÃO [v.]», e refere-se, se muito — com a condição porém de que tenha a sua causa em nós e garanta ao pensamento uma «finalidade intelectual pura (o suprassensível)» (ibidem, § 29, Obs. ger.) — à experiência do SUBLIME [v.], baseada precisamente numa «rápida alternância de repulsas e de atrações do próprio objeto» (ibidem, § 27), à qual se segue, como no riso, a «alternância de tensões e relaxamentos das partes elásticas das nossas vísceras» (ibidem, § 54).
Normalmente aceita na esfera estético-artística apenas se controlada e intelectualizada, a emoção é frequentemente objeto de uma avaliação ambígua, como por exemplo em Nietzsche, que condena a sua presunta nobreza, embora defendendo-a como força DIONISÍACA [v.] e salutar exercício da vontade de poder.
Aprofundada no século XX sobretudo pela estética da EMPATIA [v.] e pela orientação inspirada no emotivismo ético e voltada a reconhecer na linguagem da obra e da crítica um valor emotivo cognitivo (N. Goodman, Linguagens da Arte) ou não (C.K. Ogden, I.A. Richards, C. Morris e, sobretudo, C.L. Stevenson, Ethics and Language), a emoção gozou de escasso favor nas estéticas utópicas e do «engajamento», de cujo ponto de vista a identificação emocional corre o risco de ser uma satisfação substituta, se não até mesmo uma manipulação do comportamento controlada pelo sistema social e político.
Bibliografia: A. Argenton (a cura di), L’emozione estetica, Il Poligrafo, Padova 1993; M. Hjort, S. Laver (a cura di), Emotion and Arts, Oxford U.P., Oxford 1997; H. Hoege, Emotionale Grundlagen des ästhetischen Urteilens: ein experimenteller Beitrag zur Psychologie der Ästhetik, Lang, Frankfurt a.M. e a. 1984; J.-P. Sartre, Esquisse d'une théorie des émotions (1939) [trad. it. L’immaginazione. Idee per una teoria delle emozioni, Bompiani, Milano 1962; trad. pt. Esboço de uma teoria das emoções]; W.A. Shibles, Emotion in Aesthetics, Kluwer, Dordrecht e a. 1995.
Tonino Griffero