(ingl. aesthetic properties, fr. catégories esthétiques, al. ästhetische Kategorien)

Em sentido estrito, entendem-se por categorias estéticas os predicados do juízo estético, ou seja, as noções de sublime, trágico, cômico, pitoresco, grotesco etc. com as quais se caracteriza uma obra de arte ou uma experiência estética. Para que se torne possível falar de categorias estéticas é necessário que o valor estético não seja identificado de modo exclusivo na beleza, isto é, que se considere que as noções de sublime, feio etc. não conotem simplesmente a falta de valor, mas sim âmbitos específicos da esteticidade de natureza diversa do belo, necessitados de serem investigados e definidos ao lado deste.

Isso aconteceu através de um longo processo, que viu no século XVIII o desenvolvimento das reflexões sobre o SUBLIME [v.], a legitimação do FEIO [v.] na estética da primeira metade do século XIX, a voga do PITORESCO [v.] e do GROTESCO [v.] na idade romântica. Por isso, as primeiras tentativas de sistematização ocorrem na estética alemã da segunda metade do século XIX, na qual, para indicar as categorias estéticas, fala-se de MODIFICAÇÕES DO BELO [v.] ou também de formas estéticas.

E. von Hartmann, que usa o primeiro termo, fornece um amplo elenco no qual procura encontrar um ordenamento sistemático: sublime, gracioso, idílico, intrigante, tocante, patético, cômico, trágico, humorístico etc.; J. Volkelt, que emprega o segundo, abre espaço, ao lado do belo e do sublime, para o gracioso, o tocante, o trágico, o cômico, o humorístico, o feio, cada um dos quais é por sua vez articulado em subcategorias (por exemplo, o sublime no suntuoso, no majestoso, no solene etc.); no início do século XX, M. Dessoir distingue seis formas estéticas fundamentais: sublime, trágico, belo, feio, bonito (niedlich), cômico.

O termo categorias estéticas entra em uso na França no final do século XIX, com V. Basch, e é amplamente discutido e elaborado no cinquentenário seguinte. Ch. Lalo (Notions d'esthétique, 1926) identifica nove categorias estéticas principais, todas girando em torno do conceito cardeal da harmonia: belo, sublime, espiritual; grandioso, trágico, cômico; gracioso, dramático, humorístico. Segundo É. Souriau (Les catégories esthétiques, 1954) não há uma hierarquia, nem um vínculo sistemático entre as diversas categorias que a história da estética multiplicou e fragmentou; ele acolhe, ao lado das categorias estéticas tradicionais, outras cuja origem e natureza é sensivelmente diversa: categorias «agógicas» (isto é, relativas ao «movimento»: violento, selvagem, exaltante etc.), categorias histórico-estilísticas (primitivo, barroco, romântico etc.), categorias individuais (originalidade, novidade, personalidade).

Na Itália, uma crítica radical das categorias estéticas é conduzida, no início do século XX, por Croce, para o qual, por um lado, o único valor estético é a beleza, e por outro, a diversidade infinita das obras impede qualquer generalização que não seja aproximativa: as categorias estéticas tradicionais são apenas classes de descrições psicológicas, que não conseguem alcançar a individualidade da obra. Por isso a discussão sobre as categorias estéticas é, entre nós, limitada, e se desenvolve mais na segunda metade do século, sobre bases de descrição fenomenológica das categorias individuais.

Na estética anglo-americana do século XX não se discute tanto de categorias estéticas quanto de propriedades ou qualidades estéticas, e os problemas debatidos não dizem respeito à sua descrição, mas à sua natureza epistemológica, à relação com o VALOR ESTÉTICO [v.] e à possibilidade de diferenciá-las de predicados não-estéticos referidos às obras de arte: para F.N. Sibley (n. 1923) os segundos nunca podem ser condição das primeiras, que requerem uma capacidade de discriminação apropriada, o gosto.

Para evitar uma dilatação excessiva do termo categorias estéticas, parece oportuno não ampliar a noção a ponto de nela incluir todos os conceitos que têm curso no âmbito estético, por exemplo as caracterizações de tipo histórico (clássico, romântico etc.) ou as noções cardeais da teoria estética (gênio, gosto, imaginação etc.). Se assim se fizesse, o conjunto das categorias estéticas coincidiria com o léxico da estética, enquanto parece mais frutuoso indicar com categorias estéticas os predicados qualificativos e descritivos, que reformulam e precisam a percepção do valor estético.

Também para tais predicados, contudo, é preciso renunciar a qualquer pretensão de sistematicidade, aceitando-os pelo que são, ou seja, termos historicamente condicionados para descrever as formas da experiência estética: as categorias estéticas assumem importância e extensão muito diversa em relação às diversas épocas históricas, tanto que muitas das categorias estéticas tradicionais parecem de pouca ou nenhuma utilidade para a compreensão da arte contemporânea.

Bibliografia: R. Milani, Le categorie estetiche, Pratiche, Parma 1991; A. Souriau, La notion de catégorie esthétique, in «Revue d’esthétique», 1966; F. Sibley, A Contemporary Theory of Aesthetic Qualities: Aesthetic Concepts, in «Philosophical Review», 68, 1959, pp. 421-50.

Paolo D’Angelo