(ingl. authenticity, fr. authenticité, al. Echtheit)
A estética considera tradicionalmente o problema da autenticidade ou inautenticidade da OBRA DE ARTE [v.] em relação aos seus valores de UNICIDADE [v.] e ORIGINALIDADE [v.], distinguindo os exemplares autênticos das cópias e das reproduções. A autenticidade pressupõe, neste sentido, que a obra de arte tenha um caráter definido e persistente no tempo, quer seja entendida como «texto» em sentido amplo, quer seja considerada nos seus aspectos materiais. A autenticidade, além disso, requer que os elementos com base nos quais ela é certificada sejam, por princípio, subtraídos ao âmbito da reprodutibilidade técnica ou não técnica.
A autenticidade, de fato, não tem razão de ser onde desapareça a unicidade do original, como ocorreu nas artes figurativas com o advento da xilogravura, e de maneira ainda mais maciça e evidente com o desenvolvimento da FOTOGRAFIA [v.] e do CINEMA [v.]. Mas não tem motivos para subsistir nem mesmo onde o ato estético não se baseia mais na correspondência a um modelo definido, como acontece na execução de um trecho musical codificado pela anotação de uma partitura, mas vem, ao invés, integralmente delegado a uma performance, como ocorre nas artes de improvisação ou naquelas que privilegiam o caráter da aleatoriedade.
W. Benjamin definiu a noção de autenticidade em conexão com o conceito de AURA [v.], sustentando que ela encontra a sua fundação no «ritual» que lhe confere o seu «primeiro e original valor de uso» (A Obra de Arte..., p. 26). O desaparecimento da autenticidade como valor estético corresponde, portanto, à espoliação do significado de culto da arte e à acentuação do seu «valor de exposição», ou seja, à função essencialmente política que a arte adquire enquanto evento espetacular inseparável do seu caráter de fetiche (v. ESTÉTICA E POLÍTICA). O aperfeiçoamento dos instrumentos técnicos de reprodução, segundo Benjamin, provoca uma extrema «graduação da autenticidade», tanto que um verdadeiro problema de autenticidade se coloca apenas em situações históricas nas quais a arte já tenha sido subtraída ao seu contexto ritual e entregue a um processo de secularização que torna mais tênues os valores da originalidade (ibidem, p. 49).
Diversa é a consideração da autenticidade em teorias que, como aquela fenomenológica do OBJETO ESTÉTICO [v.], a reconduzem à correspondência com o sentido ideal de uma obra de arte, bem como em estéticas que, como aquelas inspiradas em filosofias de tipo existencialista, veem na demanda de autenticidade uma superação da perspectiva estética e uma reivindicação de significados éticos que podem fazer reemergir a sua exigência também no interior de gestos aleatórios como os da performance.
Bibliografia: A.C. Danto, The Transfiguration of the Commonplace: A Philosophy of Art, Harvard U.P., Cambridge (Mass.) 1981; F. Desideri, 1935-1956: Benjamin e Heidegger sull’opera d’arte, in «Studi Germanici», 29, 1991, pp. 107-24; J. Golomb, In Search of Authenticity from Kierkegaard to Camus, Routledge e K. Paul, London 1995; E. Guglielminetti, Walter Benjamin: tempo, ripetizione, equivocità, Mursia, Milano 1990; R.A. Sharpe, Authenticity Again, in «British Journal of Aesthetics», 31, 1991; P. Thom, For an Audience: A Philosophy of the Performing Arts, Temple U.P., Philadelphia 1993.
Stefano Catucci