(ingl. aesthetic appearance, fr. apparence esthétique, al. ästhetischer Schein)

Enquanto modo de ser específico das formas artísticas e da realidade por elas representada, a aparência estética suscitou avaliações contrastantes desde a antiguidade: condenada por quem a confunde com o engano lógico-científico (daí a condenação platônica da arte como produtora de mentiras e de seres ilusórios; A República, X), a aparência estética foi, ao contrário, valorizada por quem, como, por exemplo, os sofistas, vislumbra na ILUSÃO [v.] estética um efeito benéfico ou, de qualquer modo, a possibilidade de um transcendimento do fenomênico (assim Aristóteles e, por razões diversas, também o neoplatonismo).

Mas é apenas na era goethiana que assistimos a uma plena reabilitação da aparência estética, diferenciada do mero ilusionismo pictórico (sobre o qual ainda se detém Kant, Crítica da Faculdade do Juízo, § 51) já com Schiller, para o qual a «bela aparência» não é um engano, mas a própria essência das belas artes e, mais em geral, um reino desvinculado da realidade cognitiva e moral (é «aparência que não quer substituir a realidade, nem precisa ser substituída pela realidade») (Cartas sobre a Educação Estética, p. 104), dentro do qual o homem, desenvolvendo o instinto do JOGO [v.] e o gozo de sentidos superiores como o olho e o ouvido, pode exercer a própria liberdade espiritual não obstante as constrições da MATÉRIA [v.].

Diversa é a legitimação dada a ela por Hegel: dado que «a verdade não seria, se não parecesse e aparecesse» (Estética, p. 13), a vantagem da aparência estética (da arte e do belo como aparência sensível da ideia) está no «apontar para algo através de si mesma e [no] chamar a atenção de si para um elemento espiritual que por meio dela deve vir à representação» (ibidem, p. 14). Esta enfatização da aparência estética, que porém invalida a sua autonomia remetendo-a à ideia (filosófica), terminará, por um lado, na fantasmagoria da chamada «religião da arte» e, por outro, no radical niilismo nominalista de Nietzsche, em que a exigência juvenil de um equilíbrio entre o TRÁGICO-DIONISÍACO [v.] e a aparência estética APOLÍNEA [v.] (é de fato apenas a arte como «boa vontade da aparência» a tornar suportável a existência) (A Gaia Ciência, OFN, V, 2, § 107, p. 115) se extrema na dissolução antiplatônica e anticristã da própria antítese verdadeiro/aparente: «eliminamos o mundo verdadeiro: que mundo nos restou? talvez o aparente? Mas não! com o mundo verdadeiro eliminamos também o aparente!» (Crepúsculo dos Ídolos, OFN, VI, 3, p. 76). O verdadeiro não é aqui senão aparência, acomodamento pragmático das coisas (14[93], OFN, VIII, 3, p. 61; 40[53], OFN, VII, 3, p. 341), e a própria vontade de verdade brota de uma metafísica «vontade de aparência, de ilusão, de engano» (14[18], OFN, VIII, 3, p. 17; 14 [24], ibidem, p. 20).

Considerada em seguida pela estética psicológica como um ser ideal originado pela projeção objetiva de formas e sentimentos subjetivos, e feita provocatoriamente interagir pelas vanguardas com a realidade cotidiana e o objeto de consumo («objeto encontrado» [ready-made], happening, land-art etc.), colocada enfim radicalmente em discussão pela pós-moderna dissolução de qualquer distinção aparência/realidade no mundo midiático, a aparência estética foi ao encontro, em todo o século XX, de uma espécie de duplo destino. Reavaliada como prenúncio de uma realidade utópica (Bloch), ou como incontornável «promessa de felicidade» até na arte que quer livrar-se dela segundo Adorno (Teoria Estética, p. 329), a aparência estética foi, vice-versa, estigmatizada tanto pelo realismo e pela arte politicamente «engajada», quanto pela ontologia hermenêutica, que vê nela um indício da alienação na qual teria caído a EXPERIÊNCIA ESTÉTICA [v.] subjugada pelo modelo cognitivo naturalístico. Falar de aparência já pressuporia, segundo Gadamer, «a relação com um ser autêntico do qual o ser estético deveria ser distinto» (Verdade e Método, p. 112). Mas o próprio Gadamer não desconhece que, na luminosidade em que o verdadeiro manifesta a si mesmo, o «auto-ocultamento» do ser (ibidem, pp. 548 segs.) não pode deixar de ser acompanhado, segundo o que foi ensinado por Heidegger, pelo «aparecer que se desvela».

Bibliografia: K.H. Bohrer, Plötzlichkeit. Zum Augenblick des ästhetischen Scheins, Suhrkamp, Frankfurt a.M. 1981; F. Burwick, W. Pape, Aesthetic Illusion. Theoretical and Historical Approaches, De Gruyter, Berlin-New York 1990; E.H. Gombrich, Art and Illusion (1960) [trad. it. Arte e illusione, Einaudi, Torino 1965; trad. pt. Arte e Ilusão]; D. Kamper, C. Wulf (a cura di), Der Schein des Schönen, Steidl, Göttingen 1989; W. Oelmüller (a cura di), Kolloquium Kunst und Philosophie 2. Ästhetischer Schein, Schöningh, Padeborn-München e a. 1982.

Tonino Griffero