Cabala

Cabala. Uma das fontes da filosofia judaica medieval. Kabbalah (= tradição) é uma doutrina secreta transmitida ao princípio oralmente, e exposta depois por alguns rabinos em certo número de tratados, dos quais dois nos chegaram íntegros ou quase íntegros: O livro da Criação (Yezirah) e o Livro do Esplendor (Zohar). Estes livros (cuja data de composição se desconhece) expõem uma doutrina parecida à dos neoplatónicos e à dos neopitagóricos dos primeiros séculos da nossa era. Deus é, em si, inacessível, foge a todo o conhecimento e rejeita toda a determinação: é a negação de toda a coisa determinada, o nada de toda a coisa. A luz divina concentra-se e projecta-se em raios que constituem as substâncias emanadas ou Números (Sephirot) que formam os seres intermédios e o mundo. As primeiras duas substâncias são a Sabedoria (Sephir) e a Inteligência (Logos) que com Deus formam as primeiras três hipóstases, como também o mundo invisível que é modelo do mundo visível. Os dois mundos acham-se ligados pelo amor: o mundo inferior tende ao superior e, em resposta a este impulso, o mundo superior deseja e ama o inferior. A C. teve muito êxito também no período do Renascimento, sobretudo entre os platónicos, em particular, em Pico della Mirandola, que intentou unificar e organizar, com um novo espírito, a totalidade do saber tradicional, vendo na C. o instrumento adequado para penetrar nos mistérios divinos e, em consequência, a guia para a interpretação das Sagradas Escrituras. Portanto, considerava as doutrinas da C. em acordo, não somente com o cristianismo, mas também com as doutrinas de Pitágoras e de Platão, cujo precedente mais antigo seria (De hominis dignitate, fol., 138 r). Acerca da C. cf. H. Sérouya, La Kabbale, 1947; 2ª ed., 1957).