Associação de ideias
Associação de ideias (ingl. association of ideas; franc. association des idées; alem. Ideenassoziation). Com esta expressão indica-se a conexão recíproca dos elementos da consciência, relação pela qual tais elementos, quaisquer que sejam, se atraem naturalmente segundo uniformidades ou leis reconhecíveis. A semelhança, a continuidade e o contraste são as uniformidades ou as leis fundamentais da A., que já foram reconhecidas por Platão (Fed., 76 a) e por Aristóteles (De memoria et reminiscentia, II, 451 b 18-20). O fenómeno não atraiu logo, durante muito tempo, a atenção dos filósofos, mas seu estudo ressurgiu na idade moderna. Em 1651, no Leviathan Hobbes dedica um capítulo (o III) à A. das imagens, mas foi Locke quem criou a expressão "A. de ideias" e introduziu o fenómeno relativo como princípio de explicação da vida da consciência. A importância que a A. adquira por obra de Locke surge do suposto atomístico de sua filosofia: tudo o que é consciência é, em suas diferentes manifestações, pela variada combinação dos elementos simples subministrados pela experiência, ou seja, das ideias. "Algumas de nossas ideias —diz Locke— têm uma natural conexão e correspondência mútua e é ofício e excelência de nossa razão descobrir essas ideias e mantê-las juntas nessa união e correspondência, que se fundam em seu ser peculiar. Além disso, há outra conexão de ideias que se deve completamente ao azar ou ao costume" (Essay, II, 33, § 5). Alguns fenómenos aberrantes, como a loucura, as simpatias ou antipatias irracionais, as superstições, etc., devem-se a estas combinações acidentais ou consuetudinárias das ideias. Em mudança, todas as operações do espírito humano fundam-se nas conexões naturais: o conhecimento em seus diferentes graus, a imaginação, a vontade, etc. Para Locke, sem embargo, a A. de ideias adquire formas muito diferentes. Hume reduziu-a, em mudança, a três formas principais: a semelhança, a contiguidade no tempo e no espaço e a causa e efeito (Inq. Conc. Underst., III). Abandonada, depois de Kant, como princípio explicativo da totalidade da vida espiritual, a A. ficou como princípio explicativo da psicologia científica a partir de meados do século XIX até princípios do nosso século. No período contemporâneo, a psicologia da forma ou Gestaltpsychologie (veja ?gestaltpsychologie) impugnou o próprio suposto atomístico em que se fundava a teoria da associação.