Armonia
Armonia (ingl. harmony; franc. harmonie; alem. Harmonie; ital. armonia). O ordem ou a disposição, organizados em forma finalista, das partes de um todo, por exemplo, do mundo ou da alma, foi denominada "A." pelos pitagóricos enquanto proporção ou mistura dos elementos corpóreos (cf. Plat., Fed., 86 c). Leibniz usa o termo na expressão A. preestabelecida para designar um sistema particular de comunicação entre as substâncias espirituais (mónadas) que compõem o mundo. Leibniz considera que tais substâncias não podem influir-se reciprocamente, achando-se cada uma "fechada em si mesma" e, portanto, exclui a doutrina comummente admitida da influência recíproca. Assim mesmo exclui a doutrina que chama da assistência e que é própria do sistema das causas ocasionais de Geulincx e de Malebranche, segundo o qual a comunicação entre as diferentes mónadas seria estabelecida de vez em quando diretamente por Deus. A A. preestabelecida é a doutrina segundo a qual as diferentes mónadas, como relógios perfeitamente construídos, estão sempre de acordo entre si, mesmo seguindo cada uma sua própria lei. Assim a alma e o corpo vivem cada um por sua conta e, não obstante, de acordo, em virtude de que Deus coordenou as leis de uma e do outro. O corpo segue a lei mecânica, a alma segue sua própria espontaneidade: a A. entre eles foi predisposta por Deus no ato da criação (Phil. Schriften, ed. Gerhardt, IV, pp. 500 ss.).
Na filosofia moderna o termo apresenta-se com frequência no espiritualismo, especialmente em Ravaisson. Whitehead, na filosofia contemporânea, valeu-se dele para explicar a beleza, a verdade, o bem e também a liberdade e a paz e toda "a grande aventura cósmica". "A grande A. —diz-nos ele (Adventures of Ideas, p. 362)— é a A. de individualidades duradouras ligadas na unidade do fundamento. Por esta razão, a noção de liberdade nunca abandona as mais altas civilizações, e a liberdade, em cada um de seus muitos sentidos, é a exigência de uma vigorosa autoafirmação."