Alegria

Alegria (gr. chara; lat. gaudium; ingl. joy; franc. joie; alem. Freude; ital. gioia). Uma das emoções fundamentais do homem, tal como têm sido tradicionalmente enumeradas, a saber, a que consiste numa tonalidade prazenteira difusa, por causa da previsão de um bem sobreviniente. Os estoicos opunham a A. ao júbilo como um estado de ânimo não patológico. Diz Cícero, expressando a doutrina: "Quando temos a impressão de nos acharmos em posse de um bem, apresentam-se dois casos: quando a alma prova esta impressão de modo conforme à razão, conservando o estado de calma e de equilíbrio, tal condição denomina-se A.; quando, em mudança, a alma exulta sem fundados motivos e sem medida, tal condição pode denominar-se júbilo exultante ou excessivo" (Tusc., IV, 6, 13). Mas talvez precisamente por esta conotação de "excesso", o termo "júbilo" tem sido amiúde preferido na linguagem religiosa. Dante denomina constantemente júbilo à A. dos bem-aventurados (Par., V, 107, 136; VI, 119; VIII, 85; etc.) e associa o júbilo à contemplação intelectual: "Luz intelectual cheia de amor, Amor de verdade cheio de júbilo, Júbilo que transcende toda a doçura" (Par., 30, 40).

A definição de A. seguiu sendo substancialmente a mesma entre os filósofos modernos. Descartes considera-a como "uma emoção prazenteira da alma que consiste no gozo do bem que as impressões do cérebro lhe representam como seu" (Passions de l’âme, II, 91). Locke repete esta definição (Essay, II, 20, 7), enquanto que Spinoza lhe dá um sentido metafísico: "o gozo é uma alegria acompanhada pela ideia de uma coisa pretérita que sucedeu sem que se a esperasse" (Eth., III, Affectuum, def., 16), enquanto que "a alegria é a transição do homem de uma menor a uma maior perfeição" (Ibid., III, def., 2). A relação da A. com a previsão de um bem futuro tem sido sublinhada por Bergson (Essai sur les données immediates de la conscience, p. 8). Desde este ponto de vista, o oposto à A. é a tristeza, que se deve a uma previsão desagradável para o futuro. Ver ?emocao.