A
A. 1) As primeiras letras maiúsculas do alfabeto; A, B, $\Gamma$, foram usadas pela primeira vez por Aristóteles, principalmente nos Analíticos, para indicar os três termos de um silogismo. No entanto, devido ao fato de que na sua sintaxe o predicado se coloca antes do sujeito ($A$ $\dot{v}\pi\acute{\alpha}\rho\chi\varepsilon\iota$ $\tau\widetilde{\omega}$ $B$, "A é inerente [ou ‘pertence’] a B”) frequentemente nos Analíticos os sujeitos são B e $\Gamma$. Na lógica da idade moderna, devido ao costume de escrever "A est B" (A é B), A resulta normalmente o símbolo do sujeito.
2) A partir dos tratadistas escolásticos (ao que parece nas Introductiones de Guilherme de Shyreswood, século XIII), a letra A é usada na lógica formal "aristotélica" como símbolo da proposição universal afirmativa (ver ?proposicao), segundo os conhecidos versos chegados até nós através de várias redações. Nas Summulae de Pedro Hispano (edit. Bochenski, I, 21) dizem assim:
A affirmat, negat E, sed universaliter ambae, I firmat, negat O, sed particulariter ambae.
3) Na lógica modal tradicional, a letra A designa a proposição modal, que consiste na afirmação do modo e na afirmação da proposição. Assim, por exemplo: “É possível que p” na qual p resulta uma proposição afirmativa qualquer (Arnauld, Lóg., II, 8).
4) Na fórmula "A é A" ou "A = A", usada desde Leibniz como tipo das verdades idênticas e que foi adotada posteriormente por Wolff e Kant como expressão do denominado princípio de identidade (ver ?identidade), A significa um objeto ou um conceito qualquer. Fichte dizia: “Cada um ajusta a proposição A é A (como assim mesmo A = A já que este é o significado da cópula lógica) sem pensar minimamente acerca de se se reconhece como plenamente certa e indubitável” (Wissenschaftslehre, 1794, 1). A fórmula ficou durante longo tempo como expressão do princípio de identidade e assim mesmo como tipo de verdade absolutamente indubitável. Diz Boutroux: "O princípio de identidade pode ser expresso assim: A é A. Eu não digo o Ser, mas simplesmente A, ou seja, cada coisa, qualquer absolutamente, suscetível de ser concebida, etc." (De l'idée de loi naturelle, 1895, p. 12).
5) No simbolismo de Lukasiewicz a letra “A” usa-se como o símbolo da disjunção, para a qual se adota pelo comum o símbolo “V” (cf. A. Church, Introduction to Mathematical Logic, nota 91). G. P. — N. A.